CALL FOR PAPERS: Reinventar os discursos e os palcos: O RAP, entre saberes locais e olhares globais

No contexto do desenvolvimento das culturas juvenis urbanas de Moçambique, tem sido notório, nos últimos tempos, o surgimento de vozes de questionamento e interpelação, aos representantes e agentes do Estado, assim como dos processos políticos e de governação. Nesta senda, estes movimentos e fluxos, têm vindo a promover espaços para afirmação de uma cidadania ativa e de dinâmicas de artivismo. Aqui, assume especial relevo o RAP de protesto. Porém, estas iniciativas não são, em si, exclusivas do contexto moçambicano. Emergiram nos Estados Unidos há mais de duas décadas e fazem-se sentir na atualidade, um pouco por todo o mundo: Brasil, Portugal, Angola, Marrocos, Indonésia, África do Sul, Tanzânia, Camarões entre outros. Por meio de rimas, batidas e performances busca-se de alguma forma, potenciar um discurso poético eloquente de diferenciação, de reivindicação ou de transformação da realidade social, política, económica e cultural. E isto, no contexto de uma fusão entre as diversas culturas, impulsionada pelos avanços tecnológicos que se têm dado, ao nível da mobilidade e da comunicação e que criam, fluxos culturais complexos. As identidades culturais que se afirmam nos dias de hoje, estão em constante mudança – ao contrário do que acontecia anteriormente – o que se deve essencialmente, ao fluxo de desenraizamento social, constante inovação tecnológica e mobilidade física de bens e ideias.

As culturas da diáspora pós-colonial apelam à criação de novas identidades e de novos estilos de vida. A fusão cultural e o carácter híbrido das identidades, resultam da criação de novas combinações de modelos de cultura. Neste sentido, o objetivo desta publicação é o de pensar como é que através do RAP de protesto (e (sub-) géneros correlacionados) se têm reinventado os discursos e os palcos, como lugares de promoção da democracia, da compreensão das dinâmicas de poder e formas alternativas não institucionalizadas de dialogar com os agentes e representantes do Estado em contextos de crise, numa perspetiva transglobal e translocal.

Especificamente, pretende-se com esta publicação, olhar para o RAP de protesto e as performances de luta existentes em espaços públicos e privados; o RAP de protesto e o ciberativismo; os processos de resistência e cooptação dos agrupamentos musicais pelos partidos políticos; as dinâmicas persistentes de censura e repreensão social dos agrupamentos musicais; a importância do RAP na evidenciação de processos sociais de interconhecimento e inter-influência entre antepassados políticos e processos de governação contemporâneos; a relevância da re-significação do discurso e do palco pelas mulheres; a confluência do rap de propotesto na transglobalização e na afirmação pós-colonial; as experiências coletivas e re-significação dos espaços periféricos e urbanos por via da música. Não obstante esta publicação se centre no RAP de protesto, aceitamos contribuições de autores, que buscam explorar outros estilos/géneros/subgéneros musicais que cruzam estratégias, dinâmicas performáticas e palavras com o RAP de protesto.

Envio de propostas: Especificidades

As contribuições de propostas para aprovação devem incluir:

  • Titulo
  • Nome do autor e filiação institucional
  • Um resumo com o máximo de 250 palavras

As contribuições da versão final, não podem exceder 8000 mil palavras (Incluindo as notas e referências bibliográficas). Os textos deverão ainda incluir cinco palavras-chave. Embora privilegiemos a publicação em português, aceita-se propostas de artigos em inglês. As contribuições serão objeto de apreciação, no âmbito do processo de arbitragem científica por pares.

Envio de propostas: datas & endereço :

28 de Fevereiro 2018 – Data limite de submissão de propostas de contribuição.

25 de Abril de 2018 – Notificação das propostas de contribuição, aprovadas para publicação.

30 de Junho de 2018 – Submissão da versão final das contribuições aprovadas.

As contribuições devem ser submetidas, online por correio eletrónico reinventar@bloco4foundation.org com indicação explícita do tema “reinventar o discurso e o palco: O RAP, entre saberes locais e olhares marginais”como assunto da mensagem.

Organizadores:

Tirso Sitoe (Investigador e Diretor Executivo da BLOCO 4 FOUNDATION, Moçambique)

Paula Guerra (Professora e Investigadora da Universidade do Porto, Portugal)

Cidadãos De Moçambique

Cidadãos de Moçambique

info@cidadaos.org.mz

Somos uma rede de activistas, independentes e apartidários, dedicados a assegurar que os cidadãos tenham o direito a informação e a informar bem como a capacidade de influenciar as decisões políticas, macro e micro, com impacto sobre as suas vidas

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