EM QUELIMANE: Mães batalhadoras vencem todas barreiras para sobreviver

Mães batalhadoras vencem todas barreiras para sobreviver

As comerciantes Teresa Francisco e Flastonia Feliciano são duas mulheres guerreiras, residentes em bairros diferentes da cidade de Quelimane mas com algo em comum, fazem seus trabalhos na avenida Eduardo Mondlane, nas imediações da Sagrada Família, e vê na venda de produtos vegetais como massaroca, abóbora e tubérculos como meio para sustentar as suas famílias.

A cidadã Teresa Francisco de 28 anos de idade, mãe de 3 filhas, casada, moradora do bairro 1º de Maio, vende mandioca e abóbora para o sustento da sua família e aquisição de material escolar para as 2 filhas que frequentam o ensino primário. Segundo ela, este é o único meio que viu para safisfazer as suas necessidades e como forma de não ficar de braços cruzados e dependente do seu esposo que, também, encontra-se desempregado.

Entretanto, Teresa disse ter a 9ª classe feita, mas não continuou com os estudos por falta de fundos monetários dos encarregados. Diante das dificuldades que enfrentava não continuou a estudar e casou. Como fruto do casamento gerou até então 3 filhas.

Para além da venda de tubérculos e vegetais, a nossa fonte avançou que, quando o produto escasseia tem vendido refrigerantes e bebidas alcoólicas na sua moradia. Questionada se alguma vez já pediu financiamento no município para investir nos seus negócios, adiantou que “já fiz nos anos passados e quando chego no município ou no posto urbano do meu bairro não encontro espaço para concorrer” Confidenciou.

Lembra já ter trabalhado no município nos anos 2007 a 2008, como agente de limpeza na Empresa Municipal de Saneamento (EMUSA) “trabalhei no município como agente de limpeza, mas fui despedida, e quando começou a recrutar novamente deixei meus documentos e até então nunca deram-me satisfação” disse.

Tereza sonha em ter um emprego que lhe ajude a prover melhores condições aos seus filhos, porque nem sempre tem satisfeito as necessidades das suas filhas quando pedem algo para a escola como, por exemplo, material didático. “Gostaria de ter um emprego honesto, não escolho qual, mas que me pague consoante o meu esforço… para dar meus filhos o que desejam como caneta, cadernos, uniforme, uma pasta para pôr seu material escolar e outras coisas necessárias do dia-a-dia”, confessou.

Outra cidadã que enfrenta os mesmos desafios tem o nível médio concluido e chama-se Flastonia Feliciano, de 22 anos de idade, residente no bairro Brandão e mãe de três filhos. Flastonia já concorreu, por inumeras vezes, às vagas de emprego no estado e nas ONGs e, segundo disse, nunca foi aprovada. Perante esta realidade, a cidadã abraçou pequenos negócios. “Tenho a minha 12ª classe feita, já concorri várias vezes e deixei meus documentos em diferentes locais, mas nunca consegui o emprego”. Disse.

Segundo Flastonia, nunca ouviu do financiamento a nível autárquico e disse que o município não ajuda os munícipes da cidade e confessou que a situação económica na urbe está cada vez mais difícil, porque nos anos passados conseguia vender mais em relação a este ano. “Estamos a sofrer, não há clientes. Actualmente não há movimento de compradores dos nossos produtos, nos tempos vendíamos por dia 2 ou 3 sacos, agora, neste ano as coisas pioraram, nem um saco de massaroca conseguimos vender por dia”.

A fonte disse ainda que através desse pequeno negócio comprou seu terreno, cadeiras plásticas, televisor e outros utensílios domésticos e pede as autoridades que olhem para aquela camada social e ajude nas suas iniciativas, porque muitas são as mulheres que almejam singrar no empreendedorismo mas carecem de fundos para alavancar o negócio.

Embora haja avanços registados no seio da erradicação da pobreza por parte do governo moçambicano, com a implementação do PRODEM, PARPA e PERPU assiste-se o predomínio de várias dimensões da pobreza e proliferação do desemprego e a insatisfação das necessidades básicas dos munícipes.

 

Cidadãos De Moçambique

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