Arquivaram a política nacional da juventude em gavetas dos seus gabinetes

Nádio Taimo - Activista Social - Cidadãos de Moçambique

” ENSINARAM-NOS A SER JOVENS DESINTERESSADOS EM UMA POLÍTICA NOSSA…OU NÓS MESMO JÁ NÃO TEMOS A VERDADEIRA VEEMÊNCIA DE JOVENS “

Talvez eu seja crítico demais, o ser progressista é o que me diferencia de outros jovens do meu meu bairro, gozo da total liberdade de expressão para reclamar o que é meu de direito, por isso, sou apologista da opinião de que nós jovens junto do Governo deveríamos rever e fazer funcionar tudo o que vem na Política Nacional da Juventude, pois esta política não está a funcionar, é absurdo que até hoje o Conselho Nacional da Juventude (CNJ) e o Ministério da Juventude ainda estejam a usar as mesmas propostas de governação e inclusão de jovens da Declaração de Rapale de 19 a 22 de Agosto de 2013 no 3º encontro nacional da juventude sob o lema “Jovens transformando desafios em oportunidades”, plano este falhado porque os desafios aumentaram e nunca houveram oportunidades.

Considerando que a Carta Africana da Juventude no seu preâmbulo assume que a juventude é um parceiro e uma mais-valia incontornável para o Desenvolvimento Sustentável, para a Paz e Prosperidade da África com uma contribuição para o Desenvolvimento Presente e Futuro, não intendo porque as nossas políticas não estão a ser implementadas como deve ser, poucos somos os jovens que têm o conhecimento da existência desta política da Juventude.

A Política e a Estratégia da Juventude constituem os dispositivos normativos basilares de orientação no tratamento dos assuntos da juventude, e foram confiadas e incumbidas estas tarefas ao Ministério da Juventude e ao Conselho Nacional da Juventude. Este CNJ que de uns tempos para cá me parece ser uma organização partidária preocupada em fazer Política, diferente daquilo para o qual foi constituída para ser. Pouco resolve nossos problemas para não dizer que está nem aí para os jovens.

Nos Propósitos da Política da Juventude vem escrito que ” o Estado promove, apoia e encoraja as iniciativas da juventude, na consolidação da unidade nacional e da nossa diversidade linguística, étnica, regional e racial, no orgulho da nossa moçambicanidade e na preservação da paz e no desenvolvimento do país, de igual modo, em cooperação com as associações representativas dos pais e encarregados de educação, instituições privadas e organizações juvenis, o Estado adopta um programa de desenvolvimento, capaz de promover e fomentar a formação profissional dos jovens, o acesso ao primeiro emprego e o seu livre desenvolvimento intelectual e físico”, mas não é realmente o que acontece, o governo não incentiva, não apoia nada, tratam como grupos de mendigos as organizações juvenis ou de grupos de rebeldes, promovem a formação profissional mas no fim do curso não ha vagas de emprego, em Matalane ensinam jovens a manusear armas e no final nem todos são incorporados nas fileiras da polícia, o que se espera de um jovem que possui um treinamento militar e não tem o que fazer. No lugar de DUATs de acesso a terra para habitação distribuem licenças para construção de fabriquetas de bebidas alcoólicas, levam meses ou anos os pedidos de despachos para criação de associações juvenis no Ministério da Justiça e a publicação do Boletim da República é um bicho de sete cabeças, pois os valores são muito e bem altos.

Um dos objetivos específicos desta política é promover a participação dos jovens nos órgãos de decisão do Estado, mas não somos chamados para decidir sobre nossos interesses junto do Estado porque a maior parte dos jovens nem sabe que eles têm este direito. Não temos acesso a informação, queremos participar nas decisões. Ultimamente fala-se da indústria extrativa, queremos saber quem está a explorar, quais são vantagens desta exploração para o futuro do país e quais são as oportunidades de emprego? Chega de manterem tudo em segredo, partilhem com os jovens esta informação para que nós possamos também transmitir as gerações vindouras.

O Conselho nacional da juventude (CNJ) e o Ministro da Juventude devem cumprir com o seu papel, mas primeiro vamos rever a Política da Juventude.

Cidadãos De Moçambique

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